arte.cultura.pensamento

Afinal, que ParaCatuZum é este?

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COMITIVA PARACATUZUM
Criada a partir de programa na rádio UFSCar, 20.agosto de 2008, reúne os mais diferentes profissionais atuantes em arte cênica, audiovisual, culinária, educação e literatura com atuação em diversos espaços no interior do país.

Cultura.Arte.Educação
Atua com a formação de jovens e professores para o trabalho com as linguagens artísticas, desenvolvendo assessorias, oficinas e cursos em pequenas cidades e ou comunidades rurais, enfocando as experiências práticas educativas em rodas de fazimentos; intervenções estéticas, de gestão e produção em ambientes educativos.

Nossas prosas:
– Candango Restaurante e Arte (Analândia/SP)
– Cineclube Perangoera (USP-São Carlos/SP)
– Cooperativa de Produtores Orgânicos e Biodinâmicos da Chapada Diamantina (BA)
– Kaburé Filmes (São Carlos/SP)
– Karuru Comida Regional (Atibaia/SP)
– Nazareno Bonecos (Florianópolis/SC)
– Teatro Experimental (Alta Floresta/MT)
– Sêo Nico Paiol Gastronômico (São Carlos/SP)
– Só Rindo Bonecos da Montanha (Canela/RS)

Prosa em Ibitinga há dez anos

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Na circulação com os lançamentos do livrozine O NÓ DA CANA TAMBÉM DÁ GARAPA em dezembro de 2008 passeio por Ibitinga com o colega Zé Geraldo, Ciências Sociais da Unesp/Araraquara e rolou uma entrevista na TV Comunitária local.

(aqui o áudio)

O SAMBA DAS ANTIGAS

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em março de 2011 fizemos um programa especial que chamamos de samba paulista e outros sambas com o pesquisador Marcelo Manzatti, o músico Ricardo Zóio e o gestor Pedro Muller. Ouça no link https://archive.org/details/Paracatuzum_samba_paulista_755

A VELHA ONDA DO RÁDIO

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Ligamos o rádio no carro ou na net temos as mesmas noticias, uma programação musical única e, claro, os comentários de sempre. A voz dos donos e patrões, repetidas por uma pratica jornalista servil sob o manto dos grupos financeiros e empresariais. Ou seja, não deveria, mas, nos acostumamos ou passamos uma infinidade em busca de informação que ameace a possibilidade de um debate critico.

Com a chegada dos chamados governos populares na América Latina, no inicio do seculo, veio a perspectiva de alguma mudança. Parcas tentativas aqui, acolá e continuamos nas mesmas. Vem alguém e nos intima: onde posso encontrar uma visão diferente daquela que, diariamente, nos enfiam goela abaixo nas TVs, rádios e net?

Pois é, amiga, não conheço. E não estamos nem pensando em revolução, só queria outra informação e ideia que não saísse das caixinhas viciadas do mainstream global. Algo que possa nos colocar em duvidas perante este universo encastelado em certezas.

Paracatuzum surgiu e se manteve por trezentas e doze incansáveis semanas pela pauta atrevida de botar no ar gente sem grandes certezas. Não encerrava ensinamentos prontos, nem pregava saberes. Acabou. Como inúmeras outras investidas apoiadas, exclusivamente, na participação direta. Pois, ao capital só a verdade absoluta prevalece.

Dado este cenário global tosco em que estamos enfiados, mais uma vez, a necessidade volta a se colocar na pauta. Não somos proprietários dos meios de produção. No entanto, a constituição de uma comunicação alternativa urge. O que fazer?  

Autoidentificação Indígena

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Viver sem conhecer o passado é andar no escuro”
Uma história de amor e fúria

por Givanildo-Giva Manoel

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Um debate importante se faz necessário, principalmente porque é fundamental na luta por uma sociedade mais justa, que é a necessidade de se fazer uma consistente campanha pela autoidentificação indígena no Brasil. Esse processo nos ajudará, e muito, a conhecer nossa história, na qual iremos encontrar uma rica trajetória de luta e resistência à invasão europeia por essas bandas.

Sei que nosso imaginário foi sendo desconstruído de diversas formas, inclusive com o apagamento da história dos povos indígenas, ao passo que nos foram revelados apenas vestígios dela, que reproduzimos sem nenhuma análise critica, como é o caso do famoso discurso: “tenho sangue indígena, minha avó (ou bisavó) foi pega a laço”. Nunca fazemos a reflexão acerca do que significa uma mulher ser “pega a laço” e você existir, contar essa história e nunca pensar que aquela pessoa foi sequestrada do seu povo e violentada por diversas vezes, vitima de uma guerra e da sua arma mais sórdida, que afeta única e exclusivamente as mulheres: o estupro. Nesse caso, usado como arma para impor a dominação através da limpeza étnica.

O estado brasileiro assim foi sendo construído. Para atender aos interesses dos invasores, foi agindo pela eliminação dessa memória. Para que os dominadores se consagrassem, não poderia ficar vestígios de que nestas terras já viviam diversos povos, pois, se houvesse disputa nos marcos legais, esse seria um grande impedimento para a exploração dos recursos desses territórios. Esse processo tem início no Nordeste brasileiro, primeira região a receber a invasão europeia. Ao não se renderem aos invasores, os povos indígenas foram obrigados a buscar regiões no interior nordestino para que pudessem resistir aos ataques europeus, ou migraram para outras regiões do país, como é o caso dos Xavantes. Depois de tanto massacre, os povos, por muito tempo, foram silenciados pela escravidão, que erroneamente nossos livros de história ensinam como terminada para eles no começo da invasão europeia, mas que, oficialmente, só se encerrou em 1831 e na prática, durou até o século XX, quando ainda existiu relatos de escravização indígena.

Esse genocídio, aliado a um etnocídio pelo medo, impôs um silêncio aos povos nordestinos, que buscaram o momento certo para se levantarem, o que ocorreu na década de 80 após a promulgação da Constituição e a mudança de status dos povos indígenas. Muitos daqueles que se tornaram trabalhadores rurais, principalmente moradores das regiões mais inóspitas, como é o caso dos sertões, passaram a assumir a sua verdadeira identidade, isso fez com que o número de povos identificados pulassem de duas para nove dezenas em pouco tempo. Não é difícil perceber que o Nordeste é indígena. Os mamelucos, caboclos, cafuzos, todas aquelas denominações que desqualificam suas identidades, muitos deles Pankararus, Pankararés, Xucurus, Fulniôs, Tupinambás, Pankarás, Pataxós, dentre tantos outros, se escondem em uma população de 54 milhões de habitantes.

Nas décadas de 30 e 40, na marcha para o oeste, foram organizados confinamentos territoriais com nomes de “Reserva”, colocando povos diversos, com suas diferenças entre si, em um mesmo espaço geográfico, numa verdadeira tragédia anunciada. Mas foi na década de 60 que o estado brasileiro declarou de forma clara a sua intenção de eliminar os indígenas até a década de 80, conforme exposto por um dos ministros da ditadura, Mário Andreazza. O massacre continuado fez com que muitos indígenas também se escondessem atrás de uma pele branca, mais aceita socialmente, ou da negra, que apesar da opressão, ao menos, não eram considerados como selvagens ou animais.

O estado, cioso do seu projeto, legitima através do seu instituto de pesquisa (IBGE) a caracterização do que é ser indígena, que deliberadamente desconsidera o que, na realidade, foi o processo de mestiçagem. Um processo de apagar a identidade indígena, ou negra, mas que foi muito mais eficiente com os indígenas. O estado, assim, assume seu papel etnocida. Mas, ao nos depararmos com esses mesmos dados do IBGE, eles nos revelam informações importantes. Vamos a eles:

Na região da Amazônia, são 24 milhões de habitantes, sendo que 70% deles se declaram mestiços e somente 4% se identificam como indígenas! Em São Paulo, considerada “a maior cidade nordestina”, na década de 70, a cada 10 habitantes, 7 eram nordestinos. Hoje, entretanto, a relação é bem menor (porque os filhos daqueles nordestinos são paulistas). Ainda, a capital paulista, em sua história, teve diversos povos indígenas, muito bem lembrados em várias de suas referências (Guaianases, Anhangabaú, Caiowás, etc.), e é a cidade que possui a segunda maior população indígena, de acordo com os dados oficiais: 40 mil pessoas. Mesmo assim, aceitamos que temos somente quatro aldeias em todo o município e mais alguns povos espalhados pelos bairros. Essas são algumas reflexões importantes para que possamos rechaçar esse número de 860 mil indígenas que o IBGE tenta legitimar.

Quando verificamos os dados novamente, outra capciosa caracterização: 51% se declaram negros, sendo que 18% desses consideram-se mestiços! Dados esses que todos os grupos vêm reconhecendo sem nenhum questionamento. Sem querer discutir interesses, consciente ou inconscientemente acabam por corroborar um bárbaro crime, que é o do etnocídio, desta forma trabalhando pelo projeto de dominação deste estado perverso e brutal, destrutivo do ser humano e da natureza.

Assim, neste momento, é fundamental que se faça o auto-reconhecimento, assegurado pela Resolução da OIT 169 que garante essa prerrogativa a qualquer pessoa que assim o desejar e que tenha algum elemento que comprove isso. Essa revisão passa por cada um de nós. Uma profunda reflexão individual, baseado nas histórias orais que muitos temos em nossas famílias, pode colocar em outro patamar a luta dos povos indígenas em todos os aspectos, desde a disputa territorial, passando pela reivindicação de que seus mortos sejam enterrados com direito a memória.

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nova programação musical na Paracatuzum

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Sob o comando de Danilo Mendes, Lele Scarpelli e Marta Fonterrada a webrádio e app Paracatuzum  para uma nova programação musical da mais brasiliária. Mendes é o nosso provedor de feituras web, Scarpelli músico catimbador de trilhas nas variadas facetas e Fonterrada pesquisadora, produtora com mais de duas décadas da programação da radio Cultura SP pilota. também, a rádio Saci no Centro Cultural SP.

Enfim, numa dinâmica homeopática para o ouvido pensante nossa comunicação musical, a partir de agora, pinga as primeiras gotas nas veias da audição da arte.cultura.pensamento. Confira lá, nesta primeira etapa, nas quartas e sábados as 20h… Pelo app android ou www.paracatuzum.com.br… Semana que vem tem mais

O triste disto tudo, Sampaio…

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Um brasil agrário tão, distantemente, é o que nos apronta.n

Ontem por quase alguns minutos tentamos assistir o programa Roda Viva. Não rolou. Não gira mais. Circula em si mesmo. Feito um carrossel de bestas desacordadas correndo atrás do próprio rabo.

Sim. A vida tá rasa secando sob o calor do sol metálico com seus peixes apodrecendo nas margens, agonizando memórias.

O passado calado de ontem nos atormenta.

Como a pera aprodecendo no chorume de cebolas em algum canto de uma casa abandonada.

Um copo de água amanhecido no criado mudo. Ansiolítico. Fluoxetina. Losartanas, algumas palavras de conforto diminuindo o ácido do suor agonizante que corre pela nuca.

A PEC 241, o fim do contrato, ilegitimidades e o silêncio inocente das ruas. Nada a temer senão, o correr das lutas. Nada a fazer. Medo!!!

As sombras das maiorias silenciosas. O grande irmão. A guerra do fim do mundo. Canudos. Uma ks e um assopro de coca cola.

Detectado tudo isso é que eu sei disto e acordo insano do não dito no fundo do poço eu quero sempre mais.

Mirabolante mente minto, crente naquilo tudo que me petrifica a alma e vou além de tudo que minha consciência de classe ousa perceber.

Ralo. Ralé. Sou rato no chinês com ascendente em putanêsco…

Ovô, quiquié iss?

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roca-monte-santo

Por Kaio Santos

Multi milhos Rodeados de roseiras Trepadas por vagens e pimenteiras Carcadas na terra de carquejas Os sulcos abertos da amora e cebolinha Canteiro concêntrico seu tião? Nunca vi nem comi.

Ovô, quiquié iss? Ô Kaio, sabe que é isso? Peguei na chácara do cumpadi q lá tava uma belezura, Sê precisava di vê. Diz que é pá mode fazê cha, Mai dá pra curti pinga, E na carne de porco fica bão q nem cachorro come.

Acerca dessa história a cerca é só pamodiafastá os bicho, e mono aqui é só o sol q tinge apele de vermelho e móia a testa de suor.

fingimo quifumo

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Foi um copo meio vazio de ar a coisa de sair de manhã para justificar o voto em uma escola paulistana. Inda bem que estava acompanhado por um dos meus. Nó forte no peito com a insólita sensação de não participar do jogo. Sequer na arquibancada, como quando em quinze de novembro de 1982 tínhamos passado a madrugada pregando cartazes no intuito de convencer os últimos indecisos a caminho da urna. No bojo da retomada das eleições para governadores havia uma sensação de que em breve sairíamos da insana ditadura que durante décadas impôs a falta de acesso a educação, saúde e, principalmente, liberdade.

Dentro desta manhã veloz e despossuída por uma história atropelada, na fala de Pedro. Como um trator dirigido por poucos enterrando gente, pensamentos, fazeres e tudo mais. A mesária não gostou muito quando errei, várias vezes, o preenchimento do nome da mãe, do pai e o filho teve que escrever. Afinal, são eles que enxergam alguma picada no meio de tamanha escuridão, indicando alguma passada que suporte a respiração ofegante no resto e sobra de pulmões infestados por fumaças, queimadas e cinzas…

 

 

Luz e mi(ni)stério.

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Uma ponte do superado para o futuro.

Onde continua a passar um rio violento, estancado por margens opressoras.

A água que ali esta não é a mesma de outrora. Dias lectos e lentos.

No final da ponte do arco íris baldes e tonéis de ouro. Acumulados no roubo de árvores nobres, no escurecimento de minas, no caldo azedo petrificado em açúcares e na moagem eterna de gente.

A ponte que leva ao progresso é construída por e com sobras da palha queimada na floresta impune e silenciada.

Minha Santa Rita, não passa quatro!!!

Alô, tio Claudio se vier de helicóptero desça no aeroporto, onde a cobra não fuma, mas, inala o pó da impunidade.

Aqui somos um povo gentil de futuros pretéritos imperfeitos, conjugados nos verbos da pessoa deles. Na qual a rima prevalece pela contagem regressiva da imposição.

Um futuro que só adeus pertence.

No qual o passado é vivo, espertalhão.

Um fogo forte e quente incineirando qualquer possibilidade de ventre.

Um futuro morto deitado, eternamente, em berço esplêndido, ao som do mar nauseante do acaso e à luz do céu profundo em silêncios e cala bocas.

Neste jardim invadido da América do lado de cá como iluminar o sol do Novo Mundo?

Luz e mistério.paracatuzum09-2016_11