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Cozinhamentos e temperanças

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E eu e eu e eu e ela
“(…) Preta, preta essa preta é correta/Essa preta é mesmo preta/É democrata social racial/Ela é modal/Tem um Gol que ela mesma comprou/Com o dinheiro que juntou/Ensinado português no Central/Salvador, isso só é Salvador/Sua suja Salvador/E ela nunca furou/um sinal/Isso é legal (…)”.

Havia um tempo em que tudo era história
Houve um tempo em que Caetano Veloso era porta e a voz de uma geração que acabara de sair de um regime fechado e não sabia muito bem em qual estação parava o trem da história. O trecho da letra acima foi uma homenagem de Caetano a sua professora de português. Dona Neide Candolina. Manifestação que gostaria de fazer a um grupo bem pequeno de professores que convivo nos últimos quarenta e um anos. Dos quais vinte oficial e regularmente.

A cozinha dos sentidos
Numa entrevista/documentário que estamos afinando, Gilberto Gil fala da sua relação com a avó e a importância dela na sua formação e apuração musical. As trocas aconteciam nos momentos mais, aparentemente, insignificantes. Principalmente quando ela estava no fogão preparando a comida. Ou seja, a exposição também tinha cheiro, cortes, temperanças e outras cozidas.

Nos embalos das rodas e prosas
Durante os fabulosos almoços e sobremesas de Dona Loi, o amigo Ivo Segnini, apontou os caminhos da sustentabilidade para o desenvolvimento agrícola e suas razões dogmáticas no atravancamento da economia nacional. Em Tamoio, Edson Inforsato levou notas diferentes e um grupo de professores que fazia teatro; Edi Januário trouxe uns discos e jornaizinhos fora de ordem; Toninho Laureano plantou uma horta em cada buraco que sobrava no meio do canavial; Lélia indicou uns livros densos na Biblioteca municipal e um senhor (que infelizmente, não lembro o nome) derramou canetinha coloridas numa das tribunas do Estádio Comendador Freitas. Enfim, este foi o “Tempero da vida”.

“A vida tem sons que pra gente ouvir precisa aprender a começar de novo”
Ao retomar a prosa da semana passada, algo insiste na perturbação de que educação inteira é algo que vai muito além deste delírio que se estabelece como ordem ou copia de manuais e pensadores aclamados. E haja reuniões, seminários, encontros, congressos, colóquios e tiróquios para mudar a pauta acadêmica e as diretrizes direcionais dos estabelecimentos de ensino. Dias atrás tive a pachorra de enumerar a quantidade de teses citadas em num texto de 26 paginas sobre pratica em salas de aulas. Pasmem, por favor, foram 42 motes. Ai me vem à básica pergunta: qual é mesmo o itinerário deste ônibus?

A água de antes que não é a mesma
O caldo disto é que a busca tem que ser ampliada e, principalmente, sentida em detalhes na construção cotidiana da existência. Instiga a menção de que estamos em crise, pois só nela podemos estabelecer outra postura diante de cada enfrentamento. Nossas certezas parciais fluem nas águas de uma ponte que passa por cima. Ou como prefere Antunes: “a ponte é um que passa por baixo”.

Um frevo para a bailarina
Hoje à noite no SESI/Araraquara, viva Álvaro, vocês poderão ser encantados pelos trabalhos de Ângelo Madureira e sua companheira Ana Catarina Vieira no espetáculo: Como? – É um documentário em cena. Parte da dança que o Balé Popular do Recife iniciou em 1976, e que aqui é apresentada através de depoimentos de seus fundadores e também de suas criações. Depoimentos inéditos contam como foi ressuscitado o galante do cavalo marinho. A obra parte dos passos historicamente desenvolvidos pelo Balé Popular do Recife e mostra o seu processo de transformação, ao longo do tempo. O espetáculo estreou no Panorama SESI de Dança 2006. Clandestino – Neste espetáculo, os artistas utilizam um vocabulário criado a partir da confluência de seus históricos. Com uma proposta intensa e bem-humorada, a dupla propõe formas de camuflagem para a dança popular.

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