por Hélvio Tamoio
Desde os anos 80 do século passado quando sentávamos aos sábados a tarde na porta fechada da Biblioteca Mário de Andrade em Araraquara para prosas, violões e atropelos poéticos, a vida nunca mais haveria de ser a mesma. Éramos a encarnação mais miserável da revolução holística do pensamento caboclo mameloso. Podíamos tudo e com todos. A liberdade estava ali em frente de onde não tomávamos refrigerantes, nem comíamos um cachorro quente.
A cultura nacional e paulistana buscava um rumo botando a língua de trapo nas sessões possíveis e resistentes de teatro, shows em estacionamentos para inauguração de shoppings e o indicio de reconhecimento identitário por uma fundação inaugurada com a filha do general em campo.
Mais do que produzir arte estávamos em buscas de novas brechas que possibilitassem o questionamento. Afinal. saiamos de uma treva de duas décadas.
Vieram os tais anos 90 com suas luzes escaldantes e toda a mobilização foi engolida por produtorzinhos bem alinhados e suas porcentagens astronômicas. A sobra foi se acochambrando em partidos políticos milagrosos e, sem qualquer esperança, aceitou oportunas passagens.
Pimba, não deu outra, toda a imaginação – criativa ou não – passou a servir aquele Brasil que tanto contestamos. Dos banqueiros, latifundiários e da servidão.
Passada a chuva colhemos respingos de novos meninos e meninas se aprontando, articuladamente, na busca de explorações e intermináveis discursos coletivizantes.
Debaixo deste sol escaldante e silêncios, caminhamos pela Avenida Nossa Senhora do Perpétuo, socorrei-nos de escritas parnavalêscas como esta.