O TEAF FAZ ANOS… E MUITOS… E TANTOS…

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Em 2006, depois do convite inoportuno de um branquela com cara de catarinense se dizendo ator, aterrizei no meio do começo de uma mata que pelo que indicava a rápida visão era o começo de uma imensa floresta. Alta Floresta, extremo norte do Mato Grosso que de mato resta muito pouco. Ou melhor, nada. Então porque não: Falta Floresta.

Nem bem conhecia aquela gente e já plantava umas piadinhas tolas. Quem sabe quebrar o gelo e derrubar pelo asfalto fritante daquelas ruas certinhas e medidas que mais parecia ter saído da planilha de algum engenheiro tosco e aventureiro nos planos militarísticos de ocupação amazônica.

Tudo quente. Muito quente. Latente/mente quente.

Como teria sido aquele território antes desta gente toda? Recordei alguns recortes que via nos livretos de Organização Social e Política Brasileira. Frei Betto tentava nos convencer que tudo naquilo estava errado e o povo ali tangenciado não merece este destino. Quem era esta gente que agora me olhava com curiosidade dentro de um galpão escuro de madeira, onde fui apresentado como o cara que veio do Rio de Janeiro?

Não sei! Alguma coisa me remetia ao cineminha atrás da igreja São Pedro da usina Tamoio, quando depois da missa e do catecismo víamos filmes do Vigilante Rodoviário e Flash Gordon.

Seria ali, ainda, a retomada da usina deixada?

Algumas prosas e amontoados de olhares vi Agostinho Bizzinoto e a coisa ampliou. Seria o meu velho pai Tata, um irmão encontrado no meio de tantas andanças ou uma réplica cabocla minha que não invadiu a cidade?

Quanto mais ouvia sobre as investidas do dramaturgo e sua companheira Elisa Gomes mais apontava para a continuidade do grupo teatral que na minha adolescência queria encontrar as identidades dos moradores/trabalhadores da declinante usina. Andando pelas ruas e vilarejos reencontrei amigos que nunca tinha visto. Enfim, um elo. Uma ponte porque debaixo dela corria uma água que não era a mesma de antes. Porém, é rio. Eterno fluir de corredeiras.

Ponte, lugar de onde se vê (Teatro). Experiencias, experimentos, experimental. Método científico, caminho dramático que preconiza o conhecimento adquirido por práticas, estudos, observações, encenações, etc… Fazimentos.

O TEAF faz vinte e cinco anos. Ou seria quarenta se contarmos (sic)? Séculos se olharmos o rio como Àgora… Bem, sendo o que vale o que se sente: VIVA O TEATRO!!! O experimento de dar vida as altas e faltas florestas. Então vida eterna ao Teatro Experimental de Alta Floresta. Sempre, como este rio, esta veia por onde circula o sangue, que permite a arte de alimentar tanta gente. Mesmo nos assoreados, nos deserdados ou nos desertos de almas em que floram abandonos.

Hélvio Tamoio, caixeiro viajante e que em (F)Alta Floresta se descobriu Mascate de Idéias e Ilusões.

Bjs em todaos, meus amores, minhas dores e meus sentimentos 

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